Do Camarão à Peixaria Própria: a Trajetória de José Roberto Taylor em Piúma
Em uma pequena cidade do litoral capixaba, Piúma, José Roberto Taylor construiu uma vida inteira em torno do pescado. E não foi pescando, não — pelo menos não por muito tempo. Sua história é sobre comércio, coragem e adaptação, numa jornada que começou com um balde de camarão e chegou a criar um pequeno negócio.
José Roberto entrou no ramo com apenas 18 anos. Comprava camarão de dois tios — Laerte e Romildo — e vendia até às 10h30 da manhã. Depois, corria para casa, tomava banho e ia para a escola. Quem continuava a venda era a mãe, na antiga Peixaria Peroá, no centro de Piúma. No fim do dia, ele ainda ajudava o pai na "gelagem" do pescado, especialmente a peroá. Aos poucos, ele foi crescendo no ramo. Comprou seu primeiro barquinho com parte do dinheiro que juntou e com a ajuda do pai. Tentou a pesca por alguns meses, mas não se adaptou. Logo se juntou ao irmão, Babo Taylor, na peixaria da família, onde ficou pelos próximos 27 anos.
Nos anos 90 e 2000, José Roberto viu o comércio de barbatana de cação se tornar algo muito valioso. Ele ganhava um salário fixo, mas todo o lucro das barbatanas era dele. Naquela época, os preços variavam conforme a cotação diária, quase como o dólar. "Uma barbatana verde chegou a valer 300 reais o quilo", lembra ele. Era um excelente extra, até que o IBAMA proibiu a venda, após denúncias internacionais sobre práticas predatórias, mesmo que, segundo ele, os pescadores locais aproveitassem o peixe inteiro.
Depois de quase três décadas, José Roberto decidiu abrir a própria peixaria. Com a experiência adquirida na peixaria do irmão, apostou em algo diferente: venda de peixe congelado e embalado, direto ao consumidor, com mais praticidade e controle. Continuou com os antigos fregueses, muitos dos quais o procuraram por confiança no seu trabalho.
Sua história mostra como o trabalho com pescado em Piúma vai muito além da pesca em si: envolve conhecimento de mercado, contatos, esforço físico e persistência.
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