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Uma Vida de Trabalho

  Na beira do cais, onde o cheiro de sal se mistura com o de peixe fresco e histórias antigas, vive uma mulher que carrega no braço a firmeza do trabalho. Foi na roça, com sua mãe, que Ianca deu os primeiros passos no mundo do trabalho, quebrava milho, “panhava” café, feijão, ajudava a roçar pasto. Depois veio o peixe. Começou limpando o camarão do tio com as primas, junto à família. Também aprendeu muito com seu avô e seu padrasto. Sua família já comercializava peixes há muitos anos, desde a época em que eles eram vendidos amarrados e pendurados em galhinhos de árvore. Em 2020, quando entrou no IFES como estudante de Engenharia de Pesca, ainda trabalhava limpando a peroá. Mas nessa época a peroá “falhou” e Ianca começou a se preparar para trabalhar com outros tipos de peixes.  E o que podia ser fim, ela fez virar começo: alugou a peixaria de um primo e virou dona de seu próprio negócio.     Apesar das dificuldades, não pensou em desistir da peixaria. A cam...

A herança que veio do peixe: a história de Gledson e a peixaria do pai

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 A história de Gledison começa antes mesmo dele pensar em cortar peixe. Era o pai quem comandava a peixaria, lá em Itapemirim. Mais de 30 anos vendendo peixe no mesmo canto, do jeito dele: peixe fresco, limpo, e cliente sempre bem atendido.    Em 2011, o pai faleceu e a peixaria acabou fechando. E ficou assim, parada, por seis anos. Nesse tempo, Gledson tentou outras coisas. Trabalhou aqui, tentou ali, mas no fundo, a ideia de reabrir o negócio do pai não saía da cabeça. Em 2020, resolveu voltar aos negócios do pai. Chamou um sócio, abriu as portas e retomou. O sócio acabou saindo, cada um queria seguir um caminho diferente, mas Gledson ficou. Seguiu tocando o negócio sozinho, do mesmo jeito que o pai fazia: peixe bem limpo, cortado na medida, pronto pra panela.   O segredo, segundo ele, está no cuidado. Não adianta só vender, tem que entregar qualidade. Peixe com cheiro, com barriga estufada ou mal cortado, ele nem pensa duas vezes: vai pro descarte. Porq...

Do Camarão à Peixaria Própria: a Trajetória de José Roberto Taylor em Piúma

Em uma pequena cidade do litoral capixaba, Piúma,  José Roberto Taylor construiu uma vida inteira em torno do pescado. E não foi pescando, não — pelo menos não por muito tempo. Sua história é sobre comércio, coragem e adaptação, numa jornada que começou com um balde de camarão e chegou a criar um pequeno negócio.   José Roberto entrou no ramo com apenas 18 anos. Comprava camarão de dois tios — Laerte e Romildo — e vendia até às 10h30 da manhã. Depois, corria para casa, tomava banho e ia para a escola. Quem continuava a venda era a mãe, na antiga Peixaria Peroá, no centro de Piúma. No fim do dia, ele ainda ajudava o pai na "gelagem" do pescado, especialmente a peroá. Aos poucos, ele foi crescendo no ramo. Comprou seu primeiro barquinho com parte do dinheiro que juntou e com a ajuda do pai. Tentou a pesca por alguns meses, mas não se adaptou. Logo se juntou ao irmão, Babo Taylor, na peixaria da família, onde ficou pelos próximos 27 anos.   Nos anos 90 e 2000, José...